De olho no meio ambiente, Porto de Santos garante um futuro sustentável para o complexo portuário


Ser o maior porto do Brasil e da América Latina traz responsabilidades que vão além do tamanho, da estrutura e da economia. Com sua imensa movimentação de pessoas, navios e mercadorias, o Porto de Santos é um gigante também em impactos ambientais e tem se adaptado para reduzir seus efeitos no meio ambiente e se tornar um modelo de sustentabilidade.

Em sua agenda ambiental, o complexo portuário atua com uma política de atenção que inclui prevenção da poluição, proteção da biodiversidade e do ecossistema portuário. Diariamente, medidas como monitoramento ambiental, verificação da qualidade do ar, política de descarte e aproveitamento de resíduos são pontos focais e de grande importância para a movimentação do terminal.

Para todas as atividades que ocorrem no Porto, sejam nos navios ou nos terminais, a autoridade portuária promove ações específicas para trabalhar de forma adequada os resíduos gerados, explicou o gerente de Meio Ambiente do Porto, Luiz Fernando Maciel Oliva. Segundo ele, o complexo mantém o controle desde a retirada desse resíduo até o seu destino final. “Nós exigimos que, para o resíduo sair do porto, o processo seja feito somente por caminhões que tenham rastreamento. Assim, conseguimos acompanhar em tempo real onde esse caminhão está e se ele de fato chegou ao destino final, garantindo que não haja qualquer tipo de descarte irregular”.

De acordo com o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, a agenda ambiental é um compromisso do presidente Lula e do Ministério de Portos e Aeroportos e uma política permanente do governo. “Estamos comprometidos com a sustentabilidade nos portos e pra isso temos políticas públicas permanentes, como as que estão sendo realizadas no Porto de Santos. Nosso objetivo é estimular essa agenda ambiental, criando medidas que atendam a essa necessidade. Queremos que o Porto de Santos se torne um dos portos com a maior eficiência ambiental do país, servindo de exemplo para os demais. Isso é fundamental, tendo em vista a relevância ambiental para a economia brasileira e para a criação de novas parcerias”, acrescentou.

Desafios na água e no ar

O controle da qualidade do ar também é um dos maiores desafios enfrentados pelo Porto, dada a quantidade de emissões de gases provenientes dos caminhões e das embarcações. A movimentação de cargas a granel, cargas soltas, na hora que o material sai do shiploader (máquinas utilizadas para carregar os produtos) e vai para o porão do navio, pode gerar dispersão de poeira e provocar impacto negativo no ar da região.

“Essa dispersão precisa ficar confinada dentro do Porto de Santos. Ela não pode chegar até as cidades porque isso é um impacto sobre a população. Para garantir que isso não ocorra, a gente mantém equipamentos que acompanham em tempo real a qualidade do ar aqui do Porto de Santos. Quando a gente percebe alguma alteração, um aumento na concentração dessa poeira, a gente aciona as equipes de fiscalização para vir ao terminal, entender qual é o problema e garantir que essa dispersão seja reduzida e a gente evite o impacto para os municípios”, garante Oliva.

O especialista conta ainda que o Porto de Santos monitora a quantidade de espécies exóticas que existem ao redor do porto, com placas que ficaram debaixo d’água e, a cada dois meses, verifica quais foram as espécies que ficam presas nesses dispositivos, para avaliar se está ocorrendo a intrusão de alguma espécie diferente ou não. “Além desse monitoramento, a Organização Marítima Internacional exige que todos os navios tenham um sistema de tratamento a bordo. E esse sistema, seja por eletrólise, radiação ultravioleta ou filtragem, elimina todos os organismos que estão na água de forma segura”, afirmou.

Dragagem adequada

A manutenção de um porto organizado exige mais do que lidar com cargas, contêineres, navios que chegam e que partem. Ela também passa por garantir a profundidade adequada do canal, abaixo do limite do navio, que permita uma navegação segura. Esse é o papel da dragagem e para que ela seja feita, é necessário que se cumpra uma série de condições ambientais.

Uma delas é garantir que o sedimento que vai ser retirado, a areia que vem do fundo do canal, não tenha nenhuma contaminação química para que seja disposta no polígono de exposição oceânica, que é uma área em alto mar para onde esse sedimento é levado após ser feita a dragagem. Além do monitoramento da qualidade de sedimentos é preciso também garantir que a draga descarte esse sedimento exatamente no lugar designado para isso.

Segundo Luíz Fernando Maciel Oliva, a movimentação da draga é rastreada por meio de satélite e em tempo real. Assim, é possível saber exatamente em que lugar ela está e em que ponto ela abriu a sua cisterna e jogou esse sedimento para dentro da água. “Isso garante que a gente não tenha descartes irregulares e que o sedimento esteja com a qualidade necessária para ser disposto e não gerar nenhum tipo de impacto ambiental”, concluiu.

Outra preocupação durante a dragagem no canal do Porto são as espécies de tartarugas marinhas que aparecem por lá. De acordo com a autoridade portuária, periodicamente é feito um monitoramento desses animais para identificar suas fontes de alimentação e avaliar os impactos que a dragagem pode trazer para a vida marinha.

Os resultados do mapeamento demonstram que a dragagem do Porto de Santos não afeta a presença de tartarugas na região, uma vez que elas são vistas com frequência.

Novas obras

Todo o processo de implantação de uma obra nova no Porto de Santos, ou ampliação da infraestrutura portuária, demanda um processo de licenciamento ambiental que, hoje, pode ser feito pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ou pela companhia ambiental do Estado de São Paulo.

“No caso do Tecon Santos 10, o maior terminal de container que vai ser implementado aqui no Porto de Santos, haverá a necessidade de um processo de licenciamento ambiental que vai prever todos os impactos, vai mapear todos os impactos da obra no meio ambiente. Então, serão estabelecidas todas as medidas de controle para garantir que o meio ambiente seja preservado, que a relação do porto com a cidade, do terminal com a cidade, seja respeitada. E que todas as medidas de controle sejam efetivamente executadas.”

Porto de Santos

É pelo Porto Organizado de Santos que passam aproximadamente 30% das trocas comerciais brasileiras. O complexo portuário está localizado a 70 quilômetros da Grande São Paulo e possui 53 terminais, sendo 39 arrendamentos, 8 retroportuários e 6 terminais de uso privado (TUPs), situados em duas margens, uma em Santos (direita) e outra em Guarujá (esquerda).

 

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